4 de mai de 2009

Derrota

Nós estamos no século XI e a humanidade parece passar por uma crise de meia idade. O muro de Berlim caiu, junto com ele a teoria e a utopia socialista. Assistimos a construção do muro de Gaza, junto com ele a manifestação da ignorância e da intolerância religiosa. Aqui no Brasil, a falência do Estado de Direito, o vazio das leis, empenham uma justiça manipulável e uma crescente indignação do cidadão frente à sociedade cega, surda e muda que este mesmo construiu, indicando uma solução explosiva; a vingança e a retaliação são elevadas à condição institucional, sem que seus promotores pensem nos efeitos colaterais ou nas possíveis vitimas inocentes que serão atingidas pelos estilhaços desta bomba moralista reacionária.
O terrível silêncio que é produzido por esta encruzilhada, pela falta de respostas à esta charada que a humanidade se encontra e se propõe ao longo de sua existência, até agora com respostas paliativas, é um fantasma que surgiu no berço e agora ameaça engolir a existência dela. Silêncio, essa é a melhor palavra. O cidadão é omisso, como pode cobrar de seus representantes algo que não é observado por cada indivíduo? A corrupção não é um ato cometido por uma figura, nós ainda idolatramos e seguimos deslumbrados a infame lei de Gérson. Silêncio, então. Basta de verter sua indignação em pequenos grupos ou nas intermináveis filas. Cidadão, é hora de refletir seu desejo e seu direito, faça deste Estado o País que tanto deseja.
Tal como na única copa do mundo disputada no Brasil, após a vitória do Uruguai sobre a seleção local, na década de 50. Minto, pior. A massa da audiência, autoridades e anjos assistem catatônicos a um Cristo derrotado e impotente.
- Então facínora? Este é todo seu poder e glória?
- Eu sou o Senhor! Eu tinha que impor ordem e disciplina! A vida dos deuses era impura e sua mistura com os humanos era imoral!
- Ainda insiste nesta sua loucura, mesmo diante de sua execução? Você nunca foi dono da verdade, nem tinha a autoridade. Por ser incapaz de aceitar sua aparência, projetou sua insanidade em um ideal de perfeição, pureza, virtude e santidade. Mas seu ideal nunca se satisfaria em mascarar seu ego neste alterego falsificado. Você teria que transformar, moldar todo o exterior, para que a realidade se amoldasse ao seu ideal. A força das palavras e de uma utopia são grandes, mas s fatos, a realidade, acabam prevalecendo sobre os castelos de areia filosóficos.
A realidade é a verdade. Não há mais lugar para teorias ou retóricas, é momento de cidadania consciente e de ações práticas, pragmáticas e imediatas. Satan retira o manto e as peças da armadura. Ao retirar a ultima peça, a máscara facial, ergue Cristo para mostrar a todos aquilo que Yheshua, Iahvé, tanto escondera por 7 mil anos dos deuses, entidades e humanos: sua verdadeira aparência. Mais uma vez, meu corvo sussurra em meu ouvido, nem o pobre Miranda agüentou olhar a seu outrora Mestre e proclamado Salvador, Uriel teve tal repulsa que vomitou. Por debaixo de todo aquele brilho e elegância, havia uma criatura pálida, tísica, calva, corcunda e coxa. Eu não fico surpreso, ele sabia muito bem que o brilho fascina o homem e entorpece a consciência. Isso confunde, a luz pode ter uma fonte, como também pode refletir ou ser desviada, mas a aura não revela nada da essência de cada uma destas partes. Assim, resumindo, por mais que Cristo transparecesse ser uma fonte de luz ou de poder, sua essência estava escamoteada por esta película de lúmem. Tal como a rosa, que é vermelha não por ter algo desta matéria, mas por rejeitar e refletir tal espectro de cor; a rosa e sua natureza contém tudo menos o vermelho que, em nossos sentidos limitados, é identificado e confundido com a realidade da essência desta flor.
- A minha vontade é despedaçá-lo, mas isso ainda seria favorável ao seu sonho, que começou exatamente quando você aceitou o papel de vítima, de mártir.
- Eu não entendo! Eu consegui o poder pela fé humana, eu espalhei meu nome entre as estrelas e as nações deste mundo!
- Realmente, você obteve o poder, graças a esta fé humana. Mas você esqueceu que, com o poder e seu uso, vem uma conseqüência e uma responsabilidade. Você iludiu os humanos e se deixou levar pela ilusão que criou, você ficou viciado com o poder e o louvor que a fé humana lhe proporcionava.
- Muito bem. Você me tem em suas mãos e venceu. Mas você não acha que eu chegaria até aqui jogando limpo. Não é nada pessoal, mas está na hora de eu usar o coringa que eu guardava na manga. Que venha a mim meu 13° Trono!
Uma sombra sai de dentro da fortaleza e resgata Cristo da mão de Satan. Um jovem anjo, bem parecido com Satan, coloca seu general a salvo, próximo à entrada da fortaleza e se põe em posição para lutar contra Satan.
- Ele é grande, não é? Tão grande e crescido que não deve estar reconhecendo-o. Permita-me apresentá-los, meu velho inimigo, este é seu filho, Shaitan, que os humanos chamam de Satanás, mas que eu promovi para o cargo de Espirito Santo. Como eu avisei, eu tenho e vou vencer, a qualquer custo!

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