3 de mai de 2009

Desbaratando a organização

Enquanto aqui no Brasil Miranda vai administrando o revés causado pelos grupos de resistência contra seus planos de conquistar em definitivo nosso país para Cristo, nos EUA o agente Maxwell está eufórico. Após muitas investigações, os agentes do FBI conseguem encontrar e deter uma integrante do Comando Tribulação. A ação toda foi rápida e sigilosa, o destacamento foi cuidadosamente escolhido para ser composto por agentes desvinculados do cristianismo. Maxwell precisava ser rápido, pois mesmo a ação rápida movimentou uma considerável quantidade de agentes e armas, era uma questão de tempo até algum colaborador do Monstro denunciar a detenção desta senhora. Em seu gabinete particular, Maxwell começou as anotações e perguntas.
Data, hora, local. Nome do agente. Leitura das acusações e denuncias contra a investigada. Nenhuma reação. Descrição da acusada: uma senhora mulata, em torno de 45 anos, 1 metro e meio de altura, cabelos e olhos escuros. Em sua bolsa, sua identidade real e foto de 3 filhos. Um cartão de visita com os dizeres Comando Tribulação, a alcunha da suspeita: Chloe e um telefone com um código de segurança. Entre os itens apreendidos do bunker da acusada, os livros da série escritos por Tim LaHaye e Jerri Jenkins. Muitos panfletos escatológicos, agendas, nomes de colaboradores e de comandantes do Exercito do Cordeiro por todo o mundo. Algumas fotos, riscadas ou parcialmente queimadas, artigos de jornais com anotações de versículos bíblicos. Uma pistola 765, munição e explosivos C4. Uma típica bagagem terrorista, com elementos de fundamentalismo religioso.
Com uma leitura dinâmica, Maxwell compara a figura Chloe da obra com a senhora detida. Um contra-senso total. Mas analisando as agendas, Maxwell nota que a senhora tem muitos contatos comerciais, pelos EUA e o mundo, toda uma rede clandestina formada por grupos evangélicos. Até ai, não há crime, tudo pode ser razoavelmente aceito, dentro da lei e da doutrina evangélica: para um grupo de pessoas que acreditam fielmente estarem sob ameaça do Anticristo, são necessários produtos e produtores que sejam puros. Entre os folhetos, um indicio: não são apenas produtos e produtores, há a necessidade de uma moeda circulante independente. Nas paginas da bíblia, a prova: pequenas cédulas, com a moeda do Reino de Deus, que tem o nome de graça. Nos EUA, isto é crime gravíssimo. A emissão e o controle do papel moeda é exclusividade do Federal Resource, o Banco Central e Casa da Moeda local.
Mesmo com as provas contra ela, Chloe nada falava, encarava com desprezo e altivez, a Maxwell e ao delegado do FBI. Ela não temia o castigo ou o poder dos mandatários de seu país. Ela tinha a confiança total nas promessas dadas pelo evangelho, algo que muito teórico social não consegue ver e entender: aqueles que são nossa elite acreditam firmemente nestes conjuntos de valores que formam nossa sociedade, tanto quanto a massa da população. Um sistema se mantém por escolha e risco de todos seus integrantes, opressores e oprimidos. Acho que agora eu consegui matar de vez esse fantasma de meu passado marxista. Voltemos ao palco.
O delegado do FBI perdeu toda a paciência, queria estar naqueles bons tempos de Mac Arthur e mandar esta terrorista para a tabua. Mas Maxwell sabia que isso era inútil, iria suprir os remanescentes de mais um mártir, de mais uma figura para copiar, mais um ícone para estimular o ódio desses grupos contra o resto do mundo. O que tinham era o suficiente para mandá-la para a prisão e indiciar o resto do Comando. Isso se conseguissem levá-la a júri, um juiz imparcial e uma cadeia segura contra tentativas de resgate. Um grande SE.
Tumulto, correria, explosão. A sede do FBI em New York estava sendo sitiada e atacada. Maxwell sacou sua arma, sabendo quem e o que aconteceria. Poucos minutos após, a porta de seu gabinete cede diante da investida da frente de ataque. Apesar dos integrantes usarem pesada indumentária, parecida com a da SWAT, Maxwell pode sentir que dentro daquelas vestes estavam integrantes do Exército do Cordeiro, sendo seguidos de perto por um destacamento de anjos.
-Por que demoraram? Bom, senhores, se não se importam, vou me retirar.
-Quê? Onde pensa que vai? A sra esta detida!
-Não tem amor a vida? Tenha amor a sua alma, ao menos. Eu te dou a oportunidade de aceitar o Senhor Jesus agora.
-Então, a sra confessa que seu Mestre é o primeiro a burlar a lei, dos homens e dos deuses? Que coroa ele pretende usar, enquanto esta é apoiada pela força, não pela nobreza?
-Vejo que o Diabo tem sua alma bem agarrada. Pena, mas não irei interceder por você. Muito bem, meninos, este infiel é todo seu!
Um segundo. Algo que repetiria a explosão que ocorreu com Wanderley. Maxwell agiu instintivamente, apontou a arma com as mãos, mas disparou com a mente. Algum dos presentes viu o desenho Yuyu Hakusho? Maxwell reproduziu o mesmo fenômeno. De seus dedos, uma coluna de plasma luminoso se expandiu, atravessou a sala e os invasores, explodindo pela porta da rua. O segundo seguinte. A sede do FBI ficou um pouco abalada, queimada, seus agentes corriam para todo o lado, tentando apagar alguns focos de incêndio ou cercar algum outro intruso que ainda estivesse por lá. O chefe de Maxwell estava assustado, não entendia o que aconteceu nem percebeu que tipo de batalha havia presenciado. Maxwell faz uma checagem, todo o material de prova estava intacto, apenas Chloe e seus resgatadores haviam vaporizado. Ato contínuo, ele liga por seu radiocom para Silveira e Bacon para dar as boas notícias. A batalha começara. Os deuses antigos despertaram.

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