3 de mai de 2009

A raiz do Mal

Enquanto aqui no Brasil Miranda canta e dança como quer, ao arrepio da lei e ignorando as nossas autoridades competentes, nos EUA o Comando Tribulação tem trabalho dobrado. Apesar daquele país ter sido fundado por fugitivos protestantes, ali se preza muito a observância das leis mundanas. Por mais que os poderes políticos e econômicos se agradem da existência e ação dos grupos evangélicos, todos devem se adequar ao regime de direito, nisso incluído o Comando Tribulação. Mas como um bom grupo evangélico, parece que consegue mais gás e vontade em sua santa missão, quanto maior for a pressão, cobrança e dificuldade enfrentada. Na verdade, isto é muito lógico, apesar de doentio, sem ter nada a ver com a santidade ou a legitimidade das ações deste grupo.
O ideário messiânico apareceu entre o povo hebreu durante sua escravidão sobre os babilônicos. Um certo saudosismo dos tempos em que eles eram um povo livre e soberano, quando possuíam seu próprio reino, seus reis e, sobretudo, riquezas. Para um povo escravizado a evocação desses tempos áureos facilitava a coesão e resistência deste povo enquanto individuo coletivo, contra a presença de um Estado opressor e contra a assimilação natural que ocorre entre grupos sociais. Eis, talvez, a maior razão pela qual os judeus são tão mal vistos: são petulantes e arrogantes, como garotos mimados, não se misturam, não permitem que outros entrem em seus grupinhos, por teimosia de crença vive medindo os demais como se fossem superiores.
Conforme o tempo passou, o jugo foi mudando de mãos até que lhes foi permitido voltar a viver como um reino, mas ainda subalterno ao Império Persa. Neste momento, se reconstruiu o templo de Salomão, se reorganizou o Sinédrio, os judeus conseguiram reconstruir seu reino e sua devoção por Jeovah. Até a posterior dominação imposta pelo Império Romano, os judeus estiveram sob a opressão de seus príncipes e sacerdotes, sem que Jeovah tenha se manifestado em defesa do seu povo santo. Conclusão óbvia: o povo começou a se rebelar contra seus príncipes e sacerdotes, alguns grupos surgiram novamente conclamando os verdadeiros fiéis para buscarem a Deus fora do Sinédrio, etc. Quando os romanos tomaram Jerusalém, apesar de toda a santidade arrogada por seus sacerdotes, os grupos se tornaram ainda mais radicais, o reino de Judá estava à beira de uma guerra civil de proporções apocalípticas. Perdão, eu não pude deixar de usar esta piada. Mas a coisa é séria, pois foi a partir desses grupos sediciosos, separatistas, fundamentalistas e fanáticos que a Aberração apareceu.
Quando Cristo apareceu, havia dois grupos básicos de resistência religiosa contra o Sinédrio e o Império Romano: os essênios e os zelotes. Mesmo dentro do Sinédrio havia uma dissensão entre dois grupos: os fariseus e os saduceus. No meio disso tudo, uma turba furiosa e confusa, com fome de liberdade e de um contato mais direto com Deus. Agora, precisamos fazer uma distinção entre Jesus e Cristo. Jesus, como homem, veio exatamente para isso: democratizar o domínio sobre a palavra de Deus, sobre isto nunca se ouvirá falar em cultos evangélicos. Mas Cristo mostra sua característica perversa e tirânica pois, ao mesmo tempo em que nega aos antigos sacerdotes o monopólio e o privilégio do conhecimento da vontade de Deus, traz para si um poder e uma autoridade duvidosa. Não houve uma libertação do povo judeu, mas Cristo clamou a si a posse dele. Como prova, utilizo a própria base, vulgar e suspeita, utilizada por todo grupo cristão: os evangelhos. Em meio a tantas palavras doces e meigas, uma tonelada de autoritarismo.
Palco montado, Cristo conduziu sua pequena opera bufa, conseguiu atiçar mais a revolta popular, desafiou os poderes seculares e sagrados da época, tudo para conseguir seu único intento nessa encarnação: martirizar seu corpo temporal, humano, para lançar as bases de uma nova fé que amalgamasse todos esses fatores religiosos locais, resultando num combustível e tanto para laçá-lo de volta ao trono dos deuses. Nisto ele foi perfeito: encontrou o vasilhame ideal, se revelou em um meio ignorante e inculto, fez seus truques baratos de circo, impressionou a platéia com seus discursos piegas, conquistou com seu carisma a preferência de muitos seguidores. Mas a jogada de mestre foi o de usar um judeu romano, militar e complexado, para colocar sua semente no terreno mais apropriado para infecção mundial: ele escolheu Saulo de Tarso como agente endêmico e contaminou todo o Império Romano com essa enganação bem bolada.
Agora é possível encaixar como e porque os evangelhos somente foram escritos 30 anos após sua possível morte física e foram escritos em grego. Por volta do ano 70, exatos 30 anos após a aparição dos primeiros cristãos, Roma estava de saco cheio desses grupos judeus rebeldes, foi feita uma perseguição contra esses grupos sediciosos, como qualquer Império da época faria. Os essênios foram fáceis de serem silenciados, os zelotes deram um certo trabalho, foi a época das guerras judaico-romanas. Neste meio, os cristãos eram alvo, simplesmente por ainda não serem oficialmente considerados diferentes dos judeus. Alguma duvida do porque era necessário registrar por escrito os evangelhos? O grego foi usado porque era, na época, como o espanhol hoje em dia: uma língua secundaria, mas chique, elegante, coisa de gente culta. Daí surge uma pergunta: como e porque exatamente os cristãos conseguiram sobreviver ao rolo compressor do Estado romano?
Siga meu raciocínio: o cristianismo foi fundado em meio a pessoas simples, ignorantes e oprimidas pelo Estado vigente. Vocês lembram de quando eu falei que entre pessoas comuns existe um certo romantismo a cerca de figuras marginais, contestadoras e revolucionarias? Bingo! Por isso foi fundamental ao cristianismo a ação de Saulo de Tarso, ele levou aos pobres e oprimidos romanos exatamente a figura heróica do Messias, do Cristo, para resistirem ao Estado, para combater os males do pecado que existia na sociedade romana e, sobretudo, para esperarem e crerem num Reino Dourado futuro sobre a regência do Justo, de Cristo.
Primariamente, foi graças a ação desinteressada de pessoas iguais aos primeiros cristãos que isto pode sobreviver. Mas ocorreu a segunda onda: muitos da aristocracia romana, como todo rico, acaba sendo atraído por estas novidades, simplesmente por falta do que fazer. Não era novidade alguma, neste circulo nobre, que a sociedade romana estava a beira do colapso, por culpa mais da irresponsabilidade destes dignatários do que por castigo divino. Não foi necessário muito raciocínio perceber que, através da disciplina e do controle religioso por meio do cristianismo, que ao menos os príncipes de Roma sobreviveriam ao colapso da sociedade. Constantino tornou isto oficial e Teodosiano começou o expurgo das antigas tradições romanas e pagãs em geral, dando inicio aos anos de terror que culminaram na Santa Inquisição. Alguma dúvida do porque Cristo nem moveu uma palha para cessar tal massacre? Bidu! Cristo e Jeovah eram a mesma entidade. Mas agora estava expandindo em escala global, com as conseqüências que vemos por aí. Ufa! Descanso? Fim!

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