2 de mai de 2009

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Muito bem. Neste instante devem imaginar que Uriel deve ter se livrado de seu sócio humano e seguido com qualquer outro babaca que se apresenta como emissário de Deus. Alguns podem achar que é implicância minha, mas isso eu ouvi em alto e bom som da boca de um crente cri-cri: esses cientistas vão levar muita gente pro Inferno.
Acham mesmo que eu exagero? Que tal analisarmos as formas diferentes que uma mesma notícia é veiculada em um canal de uma forma e de outra em outro, em especial os de emissoras vinculadas a determinados grupos neopentecostais, sobretudo quando a notícia envolve algum de seus acólitos. Parece que estou é sendo redundante e advertindo para um óbvio ululante, da forma como os programas destes mesmos grupos neopentecostais atacam as religiões afro-brasileiras não é um exagero ou paranóia se eu chego à conclusão que não falta muito para essa massa de zumbis começar nesta terra brasilis uma Nova Inquisição ou Santa Cruzada.
Isto posto, eu fecho mais este parêntesis e passo a atenção dos senhores para Bacon, que está no aeroporto de Londres despedindo-se de seu colega Maxwell e dos novos colaboradores Gates e Lugalu. Os americanos voltam para o lar, com objetivos diferentes: Maxwell vai atrás de uma fonte que está pronta para revelar alguns podres do Comando Tribulação, enquanto Gates vai até Las Vegas encontrar alguns ex-colegas de faculdade para levantar o envolvimento da Máfia do Bingo local com o financiamento de políticos e igrejas evangélicas. Eu não estou inventando, isto também foi noticiado, mas foi evidentemente abafado.
Eu estou desviando de assunto! A nossa Lugalu tem em seu cartão de embarque o destino marcado para Cairo, onde ela pretende verificar alguns conflitos entre tribos conhecidas dela, conflitos que tem por conta o envolvimento de certos missionários evangélicos, de acordo com boatos que obviamente não poderão ser investigados, uma vez que poucos têm acesso a tais tribos ou compreendem sua linguagem. Eu acho que sou suficientemente previsível para que imaginem o motivo pelo qual exatamente Lugalu está indo ao Cairo.
Bacon está apreensivo e agoniado, a presença deste time na Interpol alavancou enormemente as investigações, ajudando a fechar mais o cerco em cima do monstro. Por outro lado, ele considera uma desvantagem estratégica, uma vez que cada um estará em seu campo de competência. Por 1 hora, dá uma volta no shopping do aeroporto, para esperar mais um agente que vem do continente asiático contendo todos os indícios das movimentações na região, mas o relatório que ele deseja ler é sobre os conflitos entre muçulmanos e hindus, ele precisa saber se tal atividade está tendo algum incentivo do monstro ou se isto é uma ação isolada do outro Usurpador: Baal, que retornou nas vestes de Allah. Em outras circunstâncias, Kraspov seria o mais indicado para cuidar deste caso delicado, mas este teve que voltar para sua Ucrânia com seu domovoy em busca de mais trechos dos pergaminhos. Em sua espera, tenta vislumbrar no portão de desembarque alguma figura que o folclore induz como deve ser o estereotipo do hindu. Um leve toque em seus ombros o faz encarar um casal de jovens, morenos, porém em hábitos por demais europeus.
-Sr Bacon? Senhor e senhora Shakur. Agentes da Interpol em Nova Déli. O que temos para o sr irá assombrá-lo.
-Ahn? Ah, sim! Bem vindos a Londres. Nosso escritório central não fica muito longe daqui. Cansados? Com fome, sede?
-Oh, muito gentil sr Bacon. Mas o serviço de bordo nos proporcionou descanso e comida suficientes em nossa viagem. Gostaríamos, por favor, de ir diretamente ao escritório central para discutirmos os detalhes de nossa investigação.
-Claro, claro! Enquanto isso gostariam de colocar alguma observação pessoal, experiências?
-Bom, digamos que, tanto eu quanto minha esposa, estamos indignados com a forma acintosa com que somos abordados, em diversas e distintas situações, pelos panfleteiros cristãos.
-Eu me envergonho por, um dia, ter sido católico.
-Oh, não é necessário. Nós sabemos que nem sempre se opta por consciência. O importante é que o sr está iniciando uma jornada para fora deste vício. Minha esposa conhece diversos métodos de meditação e autoconsciência que poderão ajudá-lo.
-Hehehe. Em pensar que em poucos dias atrás eu interpretaria isso como crendice ou coisa do Diabo.
-Bom, nós não somos exatamente santos, nós também considerávamos os muçulmanos o maior mal que existia em nosso país e tínhamos orgulho exacerbado de nossas convicções. O Mal existe, sr Bacon, mas não o Diabo, o Mal está na natureza humana, especialmente quando nós nos revestimos desta pretensa autoridade religiosa. Em nossas investigações, recuperamos algumas tradições antigas, devidamente esquecidas ou apagadas dos ritos oficiais, que nos fizeram restaurar o sentido de todo caminho espiritual que a humanidade tem traçado: o de saber conviver, aceitar e conhecer a nossa natureza e a dos que nos cercam. Existe uma obra, de um escritor brasileiro pouco conhecido, que afirma que o caminho para o conhecimento e aproximação com Deus está no trato que damos a nós, aos demais e à comunidade.
-Acho que sei quem é, embora ele peque demais com tanta autopromoção em suas obras. Mas deixemos isso aos editores dele! Vamos ao escritório ver este relatório!
Eu irei, descarada e propositalmente, omitir considerações ou dar-lhes detalhes, eu sequer darei um extrato ou resumo deste dossiê. Como poderão perceber, eu consegui encher lingüiça o bastante para completar o limite de duas páginas por dia, por trecho. Uma coisa eu digo a todos: a cada trecho completado, fica mais difícil continuar com a saga, eu dependo e muito do retorno que recebo de minhas sondas colocadas em meus personagens, disfarçados em nomes fictícios, nesta pretensão literária. Boa noite!

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